quinta-feira, 29 de maio de 2014

Pequena encantada



Lá está ela!
Esquecida em seu cantinho,
velha pequenina,
sofrida e maltratada.
Surrada mesma.
Mas para mim,
ah...para mim...tão poderosa.
Como era bom ter você comigo.
Agora que você já está velha,
usada, enrugada pelo tempo,
agora te colocam de lado.
Muitos nem lembram de você.
Parece que só eu e você,
ficamos marcados minha linda pequena.
Quantas vezes fiz loucuras,
para ter você comigo.
Muitas vezes desejei você só pra mim,
e tantas sofri dividir você
com outro alguém.
Ciúmes duro e verdadeiro.
Como te adoro, minha velha pequena!
Saber que você,
uma pequena caderneta de armazém;
de emporinho na verdade,
me proporcionou tantos doces furtivos,
no meu bom tempo de criança.
Só você sabia,
e fielmente soube guardar segredo.
Tantos doces que ainda guardo o sabor,
e lembranças daqueles momentos de compras
que me davam um tremendo calor de pavor.
Que saudades de você,
velha caderneta de armazém!



segunda-feira, 26 de maio de 2014

Novo dia



Pingos de luz
Pouco a pouco gotejando
De repente, nova semente
Amanheceu!



Primavera


Margaridas belas
É primavera!
Tons, cores. Vivas!


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Assim foi e sempre será



Nada mais lhe restava além de ir levando a vida até que a morte o levasse. Não tinha família, não tinha amigo, não tinha objeto e nem animal de estimação, não tinha ambição, somente lembrança, insônia e tentação. 
Ao bem da verdade, só tinha mesmo seus fiéis chinelos de feltro como companheiros. Não se lembrava mais de quando ou como chegaram a seus pés, somente que eram muito antigos e a sola lustrosa de ambos, sovada nas tábuas do piso do velho apartamento deixavam isso bem evidente.
Assim, passo a passo, iam seus fiéis chinelos o acompanhando do quarto para sala, da sala para a cozinha, para outros poucos cômodos mais, sempre com medo de enroscar seus pés nos pés dos móveis, e acabar caindo.
Sentia pavor da possibilidade de cair, pois não tinha com quem contar para se levantar.
Nestas circunstâncias, fez sua peregrinação pelo seu caminho de Santiago de Compostela, dia a dia, por anos, cômodo a cômodo, ora em reflexão, ora recitando alguma oração, ora em lamentação, ora em indignação, ora em pensamento puro e terno, ora em ideia mundana e maldita; assim fez, fez e fez centenas de milhares de vezes.
Naquele fim de tarde de domingo, olhou pela janela da sala e viu que o tempo estava muito nublado. Estava muito frio e, após colocar um velho cobertor sobre as costas, foi até a cozinha e colocou uma caneca de leite para esquentar.
Depois se sentou, pegou algumas sobras de pão do dia anterior, e, mergulhando-as no leite, passou a comer.
Ali ficou a comer lentamente e a pensar. Já havia anoitecido, quando levantou-se da mesa.
Fechou o gás, e foi guiado pelo conhecimento do local e pela penumbra até seu quarto. Não havia motivação para acender as luzes; afinal de contas, não existia nada de novo para se ver.
Sentou-se na cama, fez uma oração sem muita ideia do que continha, apenas levada pelos movimentos da boca, tal quais suas velhas pernas seguiam o movimento dos pés e tudo mais no seu dia a dia seguiam a algo qualquer.
Fez o sinal da cruz e experienciou uma deliciosa sensação de paz no momento que seus chinelos caíram-lhe dos pés, deixando-o num mundo cheio de alegrias e despediram-se para sempre.
Amem! 



terça-feira, 13 de maio de 2014

Saindo da rotina




Nada mais lhe restava além de ir levando a vida até que a morte o levasse. Não tinha família, não tinha amigo, não tinha objeto e nem animal de estimação, não tinha ambição, somente lembrança, insônia e tentação. 
Ao bem da verdade, só tinha mesmo seus fiéis chinelos de feltro como companheiros. Não se lembrava mais de quando ou como chegaram a seus pés, somente que eram muito antigos e a sola lustrosa de ambos, sovada nas tábuas do piso do velho apartamento deixavam isso bem evidente.
Assim, passo a passo, iam seus fiéis chinelos o acompanhando do quarto para sala, da sala para a cozinha, para outros poucos cômodos mais, sempre com medo de enroscar seus pés nos pés dos móveis, e acabar caindo.
Sentia pavor da possibilidade de cair, pois não tinha com quem contar para se levantar.
Nestas circunstâncias, fez sua peregrinação pelo seu caminho de Santiago de Compostela, dia a dia, por anos, cômodo a cômodo, ora em reflexão, ora recitando alguma oração, ora em lamentação, ora em indignação, ora em pensamento puro e terno, ora em ideia mundana e maldita; assim fez, fez e fez centenas de milhares de vezes.
Naquele fim de tarde de domingo, olhou pela janela da sala e viu que o tempo estava muito nublado. Estava muito frio e, após colocar um velho cobertor sobre as costas, foi até a cozinha e colocou uma caneca de leite para esquentar.
Depois se sentou, pegou algumas sobras de pão do dia anterior, e, mergulhando-as no leite, passou a comer.
Ali ficou a comer lentamente e a pensar. Já havia anoitecido, quando levantou-se da mesa.
Fechou o gás, e foi guiado pelo conhecimento do local e pela penumbra até seu quarto. Não havia motivação para acender as luzes; afinal de contas, não existia nada de novo para se ver.
Sentou-se na cama, fez uma oração sem muita ideia do que continha, apenas levada pelos movimentos da boca, tal quais suas velhas pernas seguiam o movimento dos pés e tudo mais no seu dia a dia seguiam a algo qualquer.
Fez o sinal da cruz e experienciou uma deliciosa sensação de paz no momento que seus chinelos caíram-lhe dos pés, deixando-o num mundo cheio de alegrias e despediram-se para sempre.
Amem! 



segunda-feira, 12 de maio de 2014

Flores no campo


"Flores no campo" – tintas de diversas texturas sobre compensado (Jacareí/SP)

Autor: João de Azeredo Silva Neto
Copyright do autor

Cachepô



"Cachepô" – acrílico sobre tela (Jacareí/SP)

Autor: João de Azeredo Silva Neto
Copyright do autor


domingo, 11 de maio de 2014

Mulheres



Junto de todos
Longe da pia
Mulheres queridas
Parabéns pelo dia!

Do autor para todas as mulheres e em especial a "Sueli" (minha inspiradora do dia a dia)


sexta-feira, 9 de maio de 2014

Madona - ternura de mãe


"Madona - ternura de mãe" - (Jacareí/SP)

Autor: João de Azeredo Silva Neto
Copyright do autor

Madona em seus desejos


"Madona em seus desejos" – (Jacareí/SP)

Autor: João de Azeredo Silva Neto
Copyright do autor

terça-feira, 6 de maio de 2014

Aguardando o meu momento


"Aquário surreal" – tintas de diversas texturas sobre compensado (Jacareí/SP)

Autor: João de Azeredo Silva Neto
Copyright do autor

Rosa


"Rosa" - (pertencem à família Rosaceae) - Jacareí/SP

Autor: João de Azeredo Silva Neto
Copyright do autor

Primavera



"Primavera" - (Jacareí/SP)

Autor: João de Azeredo Silva Neto
Copyright do autor (4 fotos)






Na boca do fogo


"Na boca do fogo" – tintas de diversas texturas sobre compensado (Jacareí/SP)

Autor: João de Azeredo Silva Neto
Copyright do autor

Casarão


"Casarão"
material utilizado: bico de pena e papel verge

Autor: João de Azeredo Silva Neto
Copyright do autor

Lugar pra namorar


"Lugar pra namorar" - Jacareí/SP

Autor: João de Azeredo Silva Neto
Copyright do autor


domingo, 4 de maio de 2014

Pra que pressa?



Certa vez fiz um curso para aumentar a velocidade da minha leitura e minha capacidade de memorização. O curso foi avançando e eu cada vez mais entusiasmado. Quando peguei o diploma eu realmente estava orgulhoso com os meus resultados, pois conseguia memorizar uma grande quantidade de dados com muita facilidade, ler textos e jornais com uma incrível rapidez.
Nessa mesma época eu fazia um curso de pintura com a artista plástica Tova Cohen e comentei com ela a respeito do sucesso que eu vinha obtendo em meu curso de leitura. 
A Sra. Tova com sua admirável afetividade e polidez me disse: “é importante buscar novas técnicas sem descartar as maravilhas que já possuímos” e continuou: “tem certos livros que necessitamos ler, reler, voltar à página anterior, saborear lentamente cada linha, cada palavra, sem pressa”.
A sapiência das palavras da Sra. Tova ficou registrada em minha lembrança de tal maneira que o curso todo de “memorização e leitura” jamais será capaz de obter tamanha eficiência. O tempo passou, muitas coisas do curso eu já não me lembro, mas as palavras daquela maravilhosa professora não passarão jamais. 
Fico pensando nesta forma antiga, funcional e agradável de veicular informações. Quem não se delicia em ler seu jornal no sofá, na rede e fica irritado quando alguém tira as folhas da ordem? Jornais, livros, folhetins, cordéis e tantos outros instrumentos que levam e trazem conhecimentos unindo pessoas. 
Uma linda poesia, um bom romance para que pressa? 
É necessário tempo para ler e reler, assim como as lembranças agradáveis da vida necessitam ser rememoradas inúmeras vezes.


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