terça-feira, 25 de julho de 2017

O verdadeiro calor de um bom cobertor



Não se preocupe
No amor...
Esses braços serão sempre
Alento e vigor

Serão assim...
Nos dias turbulentos
Nas noites sombrias
Até quando os fantasmas do desentendimento
Rondarem as brechas do castelo
Tentando impor seu malfadado calafrio

Serão também assim...
Nas delícias do calor
Nos prazeres das tórridas tardes de verão

Mas,...
Não se engane!
Quando não há amor...

Caramba...!
Isso só vai te dar dor de cabeça
Noites mal dormidas
Choro e torpor

Levante-se da cama
Desse pseudoconforto
Tome um bom banho
Agora sim...
Livre-se do emaranhado dessa teia

Aconchegue-se num bom cobertor
A bondade é que encanta
Que acalma, consola
Que faz diferença!

Sentirá o vigor dessa força
Que te livrará de vez
Daquele falso amor
Que te arrancou do conforto
De um suave chão

Sentirá para sempre como é
As delícias da areia macia
Roçando o teu pé 
E as maravilhas...
De um bom cafuné

sábado, 22 de julho de 2017

Paradoxo


Sei bem te apreciar
O seu imenso valor
A sua importância
O seu jeito de ser
Até as suas medidas...
Você sabe que eu sei
e fica feliz
Por te conhecer tão bem
Por saber te cuidar

Mas o amor é tão dual
Acho que...
Por esse motivo
É que eu sofro tanto
Não é de frio, mas do frio                       
Nunca lidei bem com o frio
Isso me arrepia, me dá calafrio

Já te falei o que foi
O que houve
Sou do calor
Dos sentimentos intensos
Sou da emoção

Coisas de coração
As vezes magoado
Calado
Dolorido

Por pequenas coisinhas
Até sem sentido
Eu ali bobo
Ali no meu canto...
Ressentido
Querendo voltar correndo
Para debaixo dessa coberta
Sedento

Sentir teu corpo
Ficar juntinho
Nesse teu calor tão gostosinho
Meu verdadeiro abrigo
Meu encanto tão único
O teu coração


terça-feira, 18 de julho de 2017

Inabilidade letal



O que me preocupa
Não é ser médico
Nem cirurgião

O que me preocupa
Não é operar um coração
Mas, o não operar o coração

A inabilidade de ambos
É desesperadora
Pode ser letal

Tira os recursos de vida
A um sofrido e angustiado
Coração


domingo, 9 de julho de 2017

Hipocrisia


A boca professa
A indignação
A consciência sabe
Da permissão
Uma tão surpresa
A outra sabe que não
Quanta mentira
Quanto desgaste
Quanta energia
Controlando...
Tamanha hipocrisia


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Dualidade


Sorrindo...
orgulhoso dizia:
“nunca me entristeci
com o medo
de perder alguém”

Chorando...
envergonhado escondia:
“nunca me alegrei
por não ter a coragem
de assumir alguém”


sábado, 1 de julho de 2017

O outro lado do mundo também está aqui


Um dia destes escutei uma mãe dizer que deixara de pagar seu convênio saúde para ajudar seu filho na conclusão de um curso profissionalizante.
Falou com alegria que era um curso importante para o desenvolvimento do seu filho.
Aquelas palavras ficaram por dias e dias reverberando nos meus pensamentos, muitas ponderações surgiram a respeito deste tão significativo momento.
Quantas aprendizagens essa mãe também pôde me proporcionar. Muitas.
Qual é a dimensão do amor de uma mãe?
Grande, extraordinária, imensa, infinita..., qual o tamanho?
Envolto em tantos pensamentos a respeito, lembrei-me de um determinado momento da minha vida.
Eu devia ter uns seis anos de idade, minha mãe foi de madrugada no meu quarto, me viu ainda acordado e perguntou:
- não está conseguindo dormir meu filho? O que está acontecendo?
- estou com medo mãe...
- do que meu filho?
- de um ladrão entrar aqui em casa...
Minha mãe refletiu por alguns instantes e disse-me:
- você está ouvindo um apito sendo tocado lá na rua meu filho? (Era o apito do policial, da antiga Força Pública, que vigiava as ruas no período noturno)
- sim...
- quando o apito está sendo tocado dessa maneira é porque não tem nenhum ladrão por perto e que podemos dormir tranquilos. Pode dormir tranquilo meu filho!
Beijou-me e ficou ali ao meu lado até que eu dormisse.
Foi algo realmente mágico, com um poder infinito de aplacar a angustia de um filho.
Tempos passados, angústia de filho, sofrimento de mãe.
Tempo atual tudo tão igual, angústia de filho, sofrimento de mãe.
Mudou o mundo, o desconforto da dor não mudou.
Trocar seu próprio sono, depois de um dia atribulado de afazeres da casa, pelo sono tranquilo de um filho, trocar seu tão necessário convênio saúde pelo desenvolvimento de um filho, me parecem tão natural, tão espontâneo para o coração de uma mãe amorosa.
Mães que fogem da guerra com seus filhos ao colo, atravessam o deserto vivenciando a dor da miséria, a sede, a fome, o desamparo da fronteira cercada de armas e arames farpados, mas que não fogem da sua condição de mãe.
Mães maltratadas, da pele ressecada, enrugada pelas tantas intempéries da vida, dos seios flácidos, mas do cerne firme que não desamparam o filho na dor.
Mães que buscam na vertente inesgotável do “amor” a força para tanto estímulo de viver, gerar e manter a vida de seus filhos.
A essas mães é que dedico estas minhas palavras.


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