quinta-feira, 17 de abril de 2014

Sabor de viver, ou não?


Mauricinho acabara de sair da casa de Alicinha.
Estava feliz, sentindo o gosto da vida!
Embora a rua não possuísse nenhum poste, no entanto a luz da lua cheia o ajudava no seu solitário e difícil caminho de volta.
Valentia não era o seu forte e para piorar a sua situação tinha um medo danado de qualquer assunto que tivesse ligação com o além.
Já tinha se esbaldado com o filé e agora o que lhe restava era maltratar a digestão descendo aquele tétrico beco íngreme até chegar à rua onde pegava o lotação.
Lembrou-se que quase morreu de medo quando foi se encontrar com Alicinha no primeiro dia de namoro.
Só não desistiu do namoro porque a garota era de deixar até o mais exigente dos garotos babando.
Sua autoestima sempre foi seu tendão de Aquiles, ou seja nos pés e assim sendo, não se sentia autorizado a grandes escolhas.  
Alicinha era o bilhete premiado que sempre pediu a Deus.
Mesmo num lugar ermo e inóspito como aquele, Alicinha realmente valia o sacrifício. Com esses pensamentos, Mauricinho ia garantindo uma força extra para manter-se no namoro e também de não se borrar todo durante aquele percurso.
Mauricinho se deu conta de que já era meia noite quando escutou o badalar do sino de uma igreja bem longe dali.
Começou a se questionar porque não saiu mais cedo da casa de Alicinha conforme fez na noite anterior. Chegou a questionar o porquê namorar aquela Alicinha se tinha tantas outras “Alicinhas” por aí.
Embora amedrontado, por outro lado sentia-se aliviado por já estar bem próximo do ponto de ônibus. Foi quando avistou uma figura sinistra, toda vestida de negro e que vinha em sua direção.
Tentou raciocinar, colocar uma ordem em seus pensamentos. Não conseguia entender de que local poderia ter vindo àquela macabra criatura. Parecia ter surgido do nada e se materializado ali, justamente vindo em sua direção.
Mergulhado numa infernal paúra e sem qualquer sentimento de dúvida, ele deu um “cavalo de pau” e voltou novamente para o beco. Só que desta vez, morro a cima. 
Sabem como é a história morro a baixo é uma coisa, mas a cima é outra bem diferente.
Nessa inversão súbita de rota Mauricinho colocou entre outras coisas, também o bofe todo para fora. Sua situação era deprimente.
Só ganhou forças e colocou novamente tração nas pernas quando percebeu que o monstruoso “dito cujo” estava se aproximando.
Quando já estava diante da casa da bela Alicinha, ele se desfaleceu e ali ficou até o amanhecer.
Foi se recobrando aos poucos em função da luz dos primeiros raios de sol e dos burburinhos dos que desciam para o trabalho.
Sentia-se além de borrado, um perdedor.
Não tinha coragem de recorrer a Alicinha e simplesmente retornou a pé para casa.
Os dias foram se passando e nada de Mauricinho retornar a casa de Alicinha.
Alicinha foi procurar por ele, soube que havia se mudado, não deixou o novo endereço e nunca mais o viu.
Conforme o velho ditado: “quem não está disposto a enfrentar certas dificuldades na vida, nunca terá a satisfação de viver” com uma encantadora Alicinha.


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