sexta-feira, 18 de abril de 2014

“Vôvoo” Noel de Presente


Meu amigo Roberto estava ansioso para vestir seu suntuoso traje de Papai Noel. Estava tudo preparado, incluindo a famosa barba branca postiça e um imenso saco vermelho recheado de presentes. 
Era seu grande sonho fazer essa surpresa para seu amado e único neto Robertinho e escolheu fazer isso em sua escola. 
A aula terminava ao meio dia e às onze horas Roberto já estava com tudo pronto em seu carro a caminho da escola. 
No trajeto viu uma tosca charrete que caminhava vagarosamente na avenida e teve uma grande ideia. Ultrapassou a charrete, deu sinal para o condutor parar e alugou-a por um bom preço. Ficou aguardando no portão principal da escola. 
Deveria descer uma rampa toda arborizada que dá acesso ao lindo pátio da escola com lindos pergolados de flores coloridas. 
Vovô Roberto agora já como Papai Noel estava em pé no “trenó-charrete” espiando lá de cima a movimentação, pronto para dar a partida. 
Doze horas em ponto soou o forte apito da escola anunciando o término das aulas. Isso foi o que bastou para assustar Gertrudes, a sua calma e serena eguinha-rena. 
Como diz o ditado: no medo corra! Papai Noel sequer teve tempo de sentar-se. Gertrudes correu desgovernada morro abaixo e Papai Noel ficou ao “Deus Dará”. 
Gertrudes pegava velocidade e tudo que era puxado por ela também, como os presentes e obviamente o próprio Papai Noel que ia pulando em pé no “trenóchete” tentando se equilibrar com um esforço descomunal. 
As crianças quando viram aquilo ficaram maravilhadas. Batiam palmas e gritavam em coro: Papai Noel pampampam, Papai Noel pampampam! Era até bonito de se ver a condição de equilíbrio que O Bom Velhinho demonstrava, se não fosse o lado trágico da situação.
Diante do entusiasmo das crianças mal se ouvia a diretora que em pânico exclamava: Meu Deus! Precisamos ajudar o Papai Noel. 
Para piorar a situação o caminho era cercado de pneus como se fosse uma espécie de cerquinha para enfeitar o trajeto. Foi então que uma das rodas do “trenóchete” saiu um pouco da trilha e pegou o primeiro daquela série de pneus. 
Daí pra frente foi um pula-pula incrível. Quando subia ele compensava o corpo se abaixando e quando descia ele se levantava. Gertrudes já estava no pé do morro, próxima do pátio onde se encontrava a criançada quando para escapar do alambrado que cercava o pátio deu uma guinada para esquerda. 
O “trenóchete” acabou seguindo a Gertrudes, mas o Papai Noel e seus lindos presentes no meio da curva fechada foram arremessados com gosto no lindo pergolado de flores e ali se agarrou firmemente. 
A criançada não sabendo nadinha do que estava na realidade acontecendo se deslumbraram com o voo de Papai Noel, mesmo sem o “trenóchete” e aplaudiram muito, mas muito mesmo! 
Vovô Roberto embora um pouco zonzo foi se restabelecendo pouco a pouco do voo e vendo seu netinho Robertinho entre a criançada não se aguentou de emoção. Chorou por trás daquela barba toda desarrumada ao ver a alegria de seu neto que pegava com as outras crianças os brinquedos espalhados. 
Hoje Robertinho já é adulto e lembra-se com carinho do melhor presente de sua vida: seu Avô Noel presente.    


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